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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 17 de julho de 2018  


29/11/2017
O mercado assimilou Bolsonaro ou vice-versa? - Jorge Serrão

Jorge Serrão

Torna-se cada vez mais séria aquela brincadeira do “é bom Jair se acostumando”. Antes encarada como uma “aventura” que não se sustentaria, a candidatura presidencial do deputado federal Jair Bolsonaro vai ganhando viabilidade e visibilidade. Ontem, o mercado ficou excitado com a informação de que Bolsonaro teria o economista Paulo Guedes como seu timoneiro da área econômica. A bolsa monopolista teria subido em função disto.

Alguns fatos são concretos e inegáveis. A maioria esmagadora dos brasileiros está de saco cheio e exige mudanças (até radicais). O descontentamento é cada vez maior com o regime do Estado-Ladrão. A guinada conservadora é a tendência. O discurso esquerdista e sua variante social-democrata não convencem mais. Culpa da petelândia e de seus parceiros no crime. Eles simplesmente “desmoralizaram a honradez” (para usar uma velha expressão do humorista Millôr Fernandes).

O fenômeno Bolsonaro é simples de entender. O mercado e o eleitorado estão carentes de alguém que seja ou demonstre ser honrado. Até agora, é Bolsonaro quem mais bem incorpora tal vontade. O discurso dele combina indignação com combate ao crime – e ataque ao “esquerdismo canalha”, cujos representantes são alvos diretos do indomável Ministério Público e de alguns magistrados que se consagram como “Pontos-fora-da-curva” em um Judiciário que parecia sinônimo de impunidade.

O nome do Bolsonaro fica mais forte a cada erro cometido pelos companheiros de Michel Temer – e a cada palhaçada encenada pela canhota acuada. Quanto mais batem nele, mais o Jair cresce, principalmente junto ao eleitorado jovem do Sul-Sudeste, muito impactado pela crise que atinge, duramente, a classe média baixa e os trabalhadores de baixa renda. Eles são os indignados com a roubalheira – já identificada como a geradora do caos. A maioria culpa diretamente a classe política. Porém, uma minoria já identifica que a culpa é do modelo estatal brasileiro: um capimunismo rentista e corrupto.

Bolsonaro é quem, até agora, melhor representa o discurso contra a insegurança generalizada, no campo político, econômico, judicial e “policial”. A retórica de “pau em bandido” – não importa se ele é da classe alta, média ou baixa – é facilmente assimilável pelo eleitorado. A curiosa novidade é que o papo também agrada aos “deuses” do mercado – justamente os maiores beneficiários dos favores estatais e do rentismo quase nunca produtivo. Até onde vai esta ironia brasileira? Talvez o fla-flu eleitoral de 2018 nos mostre claramente.

É uma jogada de mestre a escalação de Paulo Guedes no time de Bolsonaro – ou o contrário, o patrocínio do time de Paulo Guedes ao Jair até então sem “consistência junto ao poder econômico”. O Bolsonaro sempre pintado como defensor de um Estado forte, nacionalista e interventor agora será colocado na vitrine de uma possibilidade de prática liberal na gestão da Presidência da República. O mercado, que acredita no que deseja, agora aposta suas fichas no Bolsonaro.

A candidatura dele cresce de modo consistente por dois motivos que se complementam. O primeiro é que a equipe de Bolsonaro vem fazendo, há muito tempo, um trabalho muito consistente nas redes sociais, principalmente focando nos jovens (os agentes que desejam e incorporam, mais facilmente, o desejo por mudanças). O segundo motivo é que os adversários se mostram cada vez mais incompetentes, despreparados e, sobretudo, desmoralizados para enfrentar um candidato contra o qual não pesam denúncias de corrupção.

É inegável que Bolsonaro reflete diretamente e surfa na onda da indignação e revolta. O mero discurso messiânico de esquerda não tem capacidade de derrotar Bolsonaro. O desmoralizado Lula é um presidiável – e não um presidenciável viável. O impopular Michel Temer – colocado no poder pela articulação bandida do PMDB para trair o parceiro PT – agora estaria tentando liderar uma articulação de “centro-direita” para enfrentar Bolsonaro. Tudo indica que tal plano vai dar com os corruptos n’água. A parceria de Bolsonaro com o mercado tende a ser mais consistente e forte.

A questão mais importante é: não baste o jogo de faz de conta eleitoreiro. O momento brasileiro exige a formulação de um Projeto Estratégico de Nação – missão até hoje não cumprida pelos agentes políticos e econômicos no Brasil Capimunista que precisa ser passado a limpo urgentemente. A articulação de Bolsonaro com Guedes ao menos indica que haverá um debate liberal no fla-flu de 2018. Amplia-se o espaço, também, para uma discussão séria sobre a Intervenção Institucional sem golpismos.

Falta muito tempo para outubro de 2018. Muita água – e lama – vai passar embaixo da ponte da temerária sucessão ao Palácio do Planalto. Ainda serão firmados, como de mau hábito, muitos acordos espúrios para viabilizar uma candidatura presidencial. Bolsonaro, se quiser vencer e não terminar derrubado mais adiante, precisa se articular de modo consistente, e não meramente para efeitos de marketing. Até porque não basta ganhar a eleição. É preciso criar e garantir as condições para realizar as mudanças prometidas.

O jogo será muito bruto. Os donos do poder não querem mudanças estruturais. Farão o diabo para sabotar Bolsonaro ou qualquer grupo que lidere propostas de transformação real.




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