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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 18 de outubro de 2017  


24/05/2017
SOS Ribeirão Sobradinho

"Se o rio Sobradinho fosse uma pessoa, o que ele estaria nos dizendo agora?", foi com essa pergunta, em uma audiência pública, que um dos diretores da Adasa (Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF), Diógenes Mortari, convidou à reflexão sobre a maneira como tratamos nossos rios, especialmente os urbanos, como é o caso do Ribeirão Sobradinho.

Envolvida desde o final da década passada em ações de revitalização do ribeirão, como o plantio de 10 mil árvores nativas nas margens do ribeirão em 2013, a Adasa foi anfitriã da solenidade de assinatura do contrato para elaboração do diagnóstico ambiental do Ribeirão Sobradinho. O estudo embasará a criação da Unidade de Conservação na região, incluindo o Parque Canela da Ema. O objetivo é realizar análises técnicas para definir uma poligonal ideal, levando em conta as áreas de abrangência dos parques já existentes na região.  A assinatura ocorreu durante a AgroBrasília, no estande da Adasa, no dia 18 de maio. 

O ribeirão, que nasce próximo ao condomínio Alto da Boa Vista e tem 28km de extensão até chegar ao rio São Bartolomeu, percorre chácaras, propriedades rurais e áreas públicas em 153km² de drenagem, sofre há mais de 20 anos com a ocupação irregular ao longo de suas margens. Segundo a Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), a população de Sobradinho (I e II) passou de 133 mil em 2004 para 170 mil pessoas em 2015. O crescimento rápido e desordenado desmatou e impermeabilizou o solo, fazendo com que as águas pluviais se misturassem ao esgoto clandestino e aos resíduos sólidos urbanos desaguando no ribeirão, além de centenas de quilos de entulho e lixo que ali são diariamente despejados.

 A degradação foi tanta que em 2006 o ribeirão foi tema de mestrado de um pesquisador, o professor Raimundo Pereira, também morador de Sobradinho, com 52 anos de história com a região administrativa e com esse curso d´água. Após quatro anos de estudo, o professor chegou à conclusão de que o rio estava completamente morto do ponto de vista biológico. Por essa razão, criou a Associação SOS Ribeirão e se mobilizou junto a entes e agentes locais, obteve a atenção do governo e da imprensa para atender os gritos de socorro que o rio já dava, agonizando sob os impactos da deterioração ambiental. Foi criada também a Casa do Ribeirão, um centro de atividades ecológicas voltadas à comunidade local.

O diagnóstico do ribeirão deve ficar pronto em seis meses, mas a implementação do projeto completo levará de 20 a 30 anos. Segundo a Adasa, outros órgãos do governo também devem realizar levantamento de dados, elaborar pareceres técnicos e reunir informações para diagnóstico da situação atual de um dos principais afluentes do rio São Bartolomeu. Todos os pormenores da região serão levados em conta – situação fundiária, esgotamento e saneamento, agronegócio, drenagem pluvial, qualidade da água. Segundo a Agência, outras ações devem ser realizadas para reduzir os impactos ambientais, tais como intensificar a fiscalização sobre as captações irregulares e as outorgas existentes, melhoria da base de dados do local, verificação do monitoramento da qualidade da água e uma intensa campanha de conscientização da população para conservar e proteger o local e assegurar o direito do rio a coexistir com a humanidade, apesar de ação nociva do homem.

 A exemplo do que aconteceu na Nova Zelândia em março deste ano, em que o rio Whanganui, venerado pelos maoris, ganhou personalidade jurídica, quem sabe o documento que contém as assinaturas do diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles, do presidente da Associação SOS Ribeirão, Raimundo Pereira, do secretário de Agricultura e Desenvolvimento do DF, José Guilherme Leal, e do responsável técnico da empresa Géo Lógica Consultoria Ambiental, Cristiano Goulart Simas, seja o reconhecimento de que os rios, assim como as pessoas, também devem ter garantido seu direito essencial à vida.

Assessoria de Comunicação e Imprensa/ADASA.




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