Busca:
   Acontece
   Artigos
   Condomínios
   Entrevistas
   Fazendo Arte
   Galeria
   Gente
   Opinião
   Promoções
   Sobradinho
   Sobradinho II
   Úteis
   Vale a pena acessar
   Esporte
   Sobradinho 48
   Planaltina
   Paranoá
   cobertura
Busca
Busca
Receba em seu e-mail as atualizações de nosso blog
Nome
E-mail
cadastrar desativar
 
  Regras do Blog | Perfil do tpadua 20 de novembro de 2018  


27/10/2018
Crapulices de Capa e Espada - Mário Sérgio Conti

O que acontecerá amanhã é produto da crise econômica e da resposta que o PT, e as forças que se opõem ao partido, deram a ela. Num plano acessório, ideológico, a eleição de domingo será fruto do vaivém da corrupção política nos últimos anos.

O suborno de agentes políticos não começou ontem. A construção civil financia o sistema político desde 1946. A partir da megaobra de Brasília, ela se tornou um pilar da economia. Na ditadura, empreiteiros corrompiam quadros do regime sem a intermediação de uma casta à cata de votos.

Com democracia, Odebrecht & Cia voltaram à política. Ensinaram o caminho das emendas aos caipiras da agroburguesia. Parte do PT se vendeu e sua direção se calou. Imaginou que o partido não seria punido porque o sistema político inteiro estava no mercado —e representava só a si mesmo.

"O 18 Brumário", que investiga um golpe de Estado, diz que a crise de representação leva a burguesia a sufragar a espada. Como o desenlace do processo será amanhã, é melhor adotar o timbre cauteloso, mas rocambolesco, de um capa e espada clássico, "Os Três Mosqueteiros".

Aí Athos, Porthos e Aramis desembainharam os floretes. "Abaixo a corrupção", apregoavam de dia os mosqueteiros da ética. À noite, entre risotas, cochichavam: "Um por todos e todos pela propina". À sorrelfa, Temer, Cunha e Aécio amealhavam alforjes de ouro.

Enquanto isso, Milady Dilma traía seus eleitores e os encarcerava no desemprego e no endividamento. Os mosqueteiros, solertes, aproveitaram para arremessar-lhe pautas-bomba, cascas de banana e, ó céus, atribuir-lhe pedaladas fiscais —Deus ex machina que nem Alexandre Dumas imaginaria.

Melíflua e adúltera, Milady logrou unir contra si duques iliberais, bispos estufados de escolástica, ideólogos de cachimbo e tênis, economistas com calculadoras compradas de camelôs de Harvard, a sociedade incivil. Os aldeões, bestializados, não moveram foices e martelos para salvá-la.

A álacre fronda foi liderada por um ídolo de mancebos e mocinhas nos confins do reino. D'Artagnan, o galante capa preta provinciano, empinava o cavalo, agitava o chapelão, dava vivas à probidade política. Resistir ao atrevido Moro, quem haveria de?

O Capitão não resistiu. Qual a soubrette Janaína, um frisson lhe percorria a espinha ao contemplar o perfil másculo do gascão de Curitiba. No satânico churrasco em que Milady foi picanha, porém, avisou que só um torturador de truz poderia botar os campônios no eito de sol a sol.

O folhetim degringolou porque a economia continuou no buraco: em lugar da fartura do país de Cocanha, lucros cadentes. E também porque Cunha, Aécio e Temer seguiram sendo Temer, Aécio e Cunha. Os mosqueteiros malas só queriam saber de malas.

Mesmo que dados a negociatas, os burgueses preferem negócios. Já os aldeões, inquietos, deram de dar ouvidos a profetas de alma turva. Deixa comigo, bradou D'Artagnan, atirando o anacoreta de São Bernardo numa masmorra paranaense. Debalde. A lamúria de uns e outros persistiu.

Eis que surgiu o cardeal Richelieu, o prelado mais ardiloso de seu tempo. Tinha um pé na cozinha e frequentava os salões mais elegantes da sesmaria, que o escutava embasbacada. Sabia "O 18 Brumário" de trás para frente e o tinha por falácia. Todos puseram os olhos nele.

O que Fernando Henrique Cardoso fez assustou leitores de Dumas e Marx. Apoiou a derrubada de Dilma com uma algaravia de paradoxos que mal ocultava o oportunismo. É duvidoso que a presidente tivesse caído se FHC se insurgisse contra a patranha.

Recusou-se a excomungar os mosqueteiros vigaristas. Ao contrário, permitiu que seus vigários fossem coroinhas na missa negra oficiada pelo Vampirão. A púrpura cardinalícia serviu ao burlesco intento de ungir um animador de auditório pontífice de Vera Cruz.

Richelieu viu as escaramuças e a pane da burguesia, incapaz de seu unir em torno de um candidato. Bulas choveram do exterior. O cardeal não se moveu. O resultado aí está: polícia nas universidades, milicianos à solta, mentiras cibernéticas, o obscurantismo a toda, a democracia por um fio.

Os democratas sabem do perigo por que passa o país. Por isso, ex-ministros tucanos se recusaram a coonestar o Anticristo. Disseram que votarão em Haddad, mesmo discordando dele em quase tudo. Honra a José Carlos Dias, Rubens Ricupero, José Gregori e Alberto Goldman.

José Carlos Dias, aliás, disse de Bolsonaro o que Marx escreveu sobre o ditador de "O 18 Brumário": "É um crápula".Encaminhado por Carlos SA.




« voltar  |  Enviar este conteúdo  |  Imprimir este conteúdo  |  Comentar esse conteúdo  |  



SEM COMENTÁRIOS



14/11/2018 - Ativismo e vida sexual clandestina - Rubens Shirassu Júnior - A ideia original partiu de conhecer o Brasil na...
13/11/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!Piadas...
13/11/2018 - Acordando com o rádio - Ruy Castro - Nesta época de redes sociais, ainda sou dos que...
10/11/2018 - F65.0 Hélio Schwartsman - F65.0 é o código da CID-10 (Classificação Internacional de...
05/11/2018 - O Pavão - Rubem Braga - Eu considerei a glória de um pavão ostentando o...
30/10/2018 - Gritos na noite... - Renato SantAna - Assombroso! Às 22:10 da noite deste 28/10/2018, poucas horas...
30/10/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente!O esculhambador-geral da República! Sensacionalista:...
29/10/2018 - Não é este o Brasil que eu quero - Por Jacob Fortes - O agricultor Januário, possuidor de uma modesta gleba, ”Engenho...
27/10/2018 - Macaco Simão...Urgente - Pra votar no Bolsonaro tem que apresentar diploma de...
23/10/2018 - Macaco Simão...Urgente - A situação está um psicodrama escalafobetico! Rarará!    Buemba! Buemba! Macaco...
Destaques
Registros Históricos - Carlos I.S. Azambuja
São registros históricos que comprovam a veracidade do que dizemos quase que diariamente. Quem diz o contrário é ignorante, por não ter nascido naquela época e não haver estudado a História verdadeira (com agá maiúsculo), ou por ser mal intencionado mesmo, como...



Pólo de Cinema. O sonho não acabou, ainda - Pedro Lacerda*
Não é a primeira vez que alguém tenta acabar com o sonho do Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, localizado em nossa Sobradinho. Desta vez, nos parece que é o próprio governo que está pretendendo dar um fim...



Marcada para segunda-feira,4, Audiência Pública para tratar do Ribeirão Sobradinho
Está marcado para acontecer dia 4 de novembro, uma segunda-feira, Audiência Pública proposta pela Câmara Legislativa do Distrito Federal exclusiva para tratar do Ribeirão Sobradinho. O evento será às 15 horas na Casa do Ribeirão Q. 9 Área Especial, frente para...



Busca