Busca:
   Acontece
   Artigos
   Condomínios
   Entrevistas
   Fazendo Arte
   Galeria
   Gente
   Opinião
   Promoções
   Sobradinho
   Sobradinho II
   Úteis
   Vale a pena acessar
   Esporte
   Sobradinho 48
   Planaltina
   Paranoá
   cobertura
Busca
Busca
Receba em seu e-mail as atualizações de nosso blog
Nome
E-mail
cadastrar desativar
 
  Regras do Blog | Perfil do tpadua 19 de dezembro de 2018  


10/10/2018
Como se faz um candidato - Rubens Shirassu Júnior

Política é uma coisa séria, eleição outra, onde fatores emocionais predominam, e quanto pode custar (em termos de voto) um pequeno erro estratégico numa campanha eleitoral e como modelar a imagem de um candidato neste momento e no Brasil. Na verdade, ele não é muito mais do que um produto a ser vendido.

Em princípio, perfeito: o candidato que estava atrás nas pesquisas faz um cartaz para aproveitar a repercussão de seu mais numeroso comício, para crescer aos olhos do eleitorado como a opção possível à avalancha que se desenhava em favor do primeiro colocado até então. Um pequeno erro, no entanto, comprometeu milhares de reais – à época, milhões de cruzeiros – e outros tantos milhares de votos: a foto escolhida mostra o candidato em primeiro plano discursando, com a multidão ao fundo, como de praxe... Só que olhando para o outro lado. O caso é real, ocorreu com o candidato apoiado pelo ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães, na eleição para a Prefeitura de Salvador, o liberal Edvaldo Brito, triturado depois nas urnas por Mário Kertsz, do PMDB. É claro que o cartaz não explica por si só o resultado da eleição, mas mostra bem que se a propaganda não elege um candidato, ela é bem capaz de ajudar a derrotá-lo.

O fundamental na eleição é administrar a indiferença – de 60% do eleitorado em média – com que a votação é encarada, e isto diz mais respeito à propaganda do que à política. Política ocorre de uma forma ou de outra os 365 dias do ano, eleição é um fato que ocorre de quatro em quatro anos, regido por uma lógica diferente, mais emotiva do que racional. O eleitorado interessado pelas questões político-partidárias não vai além dos 5% do total, e a parcela capaz de ser atingida pelas relações de favor e de clientela chega no máximo a 35%, segundo pesquisas a que se tem acesso. Ficam 60% à deriva, à espera de uma campanha publicitária que os sensibilize. A tentativa correta de aproveitar as qualidades mais facilmente identificadas nos candidatos como o estilo a ser seguido na campanha pode, no entanto, resvalar para a grossura ou a simples repetição.

Embora seja mais comum nas camadas mais pobres da população, o desprezo pelos políticos chegou a uma classe habitualmente cortejada por eles – os empresários. Dispostos a substituir os advogados e fazendeiros que hoje representam a maioria do Congresso, empresários dos mais variados perfis, setores e calibres investem com apetite milionário sobre a Constituinte. “Chega de políticos! Empresários no poder! bem poderia ser o grito de guerra destes novos cruzados do empresariado”, brinca o cientista político René Dreyfuss, autor do mais completo estudo sobre a participação do meio empresarial no golpe de 1964. Dreyfuss alerta, no entanto, que este processo leva em conta peculiaridades regionais e não ter por finalidade derrubar outros setores do patronato, mas sim deter o “aventureirismo direitista”, representado pelas cópias do Paulo Maluf, os setores progressistas e no plano político-eleitoral os modelos do tipo Leonel Brizola. Os empresários têm todo um cuidado ao se apresentar na política, pois procuram parecer em partidos de retórica popular ou mesmo social-democrata. A escolha do PTB pelo maior empresário brasileiro (Antônio Ermírio de Moraes) indica bem este fenômeno, explica Dreyfuss. O cuidado demonstrado pelos empresários com a própria imagem deve ser seguida por todos os que se aventurem na política: a imagem é fundamental. Para atingir a maior parte do eleitorado, é fundamental uma imagem que inspire credibilidade, respeitabilidade e valores deste tipo, mais intuídos que analisados. O estilo amarrotado de quem acabou de sair de uma reunião de trabalho e a fala direta e brusca de Antônio Ermírio de Morais seriam fatais em outro candidato, mas nele se associam à perfeição para reforçar a imagem do sujeito a fim de arregaçar as mangas e trabalhar sem fazer politicagem que ele tenta vender à população.

*Rubens Shirassu Júnior, escritor, pesquisador e pedagogo de São Paulo. Autor, entre outros, de Religar às Origens (ensaios e artigos, 2011) e Sombras da Teia (contos, 2016).




« voltar  |  Enviar este conteúdo  |  Imprimir este conteúdo  |  Comentar esse conteúdo  |  



SEM COMENTÁRIOS



18/12/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!Frase...
18/12/2018 - Telma Rufino perde vaga para Jaqueline Silva na CLDF - Em uma reviravolta que surpreendeu o meio político, o...
17/12/2018 - ...ainda Paris - Vladimir Safatle - Não deixa de ter sua ironia o fato de...
17/12/2018 - Paris e os coletes amarelos - Laura Carvalho - Em mais uma tentativa de resposta aos acalorados protestos...
16/12/2018 - Preso médium - O médium João de Deus, que se entregou às...
16/12/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!Tudo...
14/12/2018 - Geleia Geral: história sem arremate - Rubens Shirassu Júnior* - Em 1980, com o fim da censura no país,...
10/12/2018 - Saudades do Brasil - Ruy Castro - Mais um conhecido meu se mudou para Portugal. Nos últimos...
05/12/2018 - O Dono do Mar - William Santiago -  Um dia, eu lhe disse:     - Vamos conhecer...
03/12/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Resumo...
Destaques
Registros Históricos - Carlos I.S. Azambuja
São registros históricos que comprovam a veracidade do que dizemos quase que diariamente. Quem diz o contrário é ignorante, por não ter nascido naquela época e não haver estudado a História verdadeira (com agá maiúsculo), ou por ser mal intencionado mesmo, como...



Pólo de Cinema. O sonho não acabou, ainda - Pedro Lacerda*
Não é a primeira vez que alguém tenta acabar com o sonho do Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, localizado em nossa Sobradinho. Desta vez, nos parece que é o próprio governo que está pretendendo dar um fim...



Marcada para segunda-feira,4, Audiência Pública para tratar do Ribeirão Sobradinho
Está marcado para acontecer dia 4 de novembro, uma segunda-feira, Audiência Pública proposta pela Câmara Legislativa do Distrito Federal exclusiva para tratar do Ribeirão Sobradinho. O evento será às 15 horas na Casa do Ribeirão Q. 9 Área Especial, frente para...



Busca