Busca:
   Acontece
   Artigos
   Condomínios
   Entrevistas
   Fazendo Arte
   Galeria
   Gente
   Opinião
   Promoções
   Sobradinho
   Sobradinho II
   Úteis
   Vale a pena acessar
   Esporte
   Sobradinho 48
   Planaltina
   Paranoá
   cobertura
Busca
Busca
Receba em seu e-mail as atualizações de nosso blog
Nome
E-mail
cadastrar desativar
 
  Regras do Blog | Perfil do tpadua 19 de setembro de 2018  


12/07/2018
Não há futebol sem palavrão - Sérgio Rodrigues

Seria uma experiência científica de grande interesse artístico ou vice-versa: em condições controladas, medir a incidência de palavrões produzidos por um grupo de torcedores de futebol diante de partidas dramáticas em que seu time do coração enfrentasse repetidas situações de vida ou morte. Apenas para efeito ilustrativo: Brasil 1 x 2 Bélgica.

A melhor parte seria relacionar os tipos de palavras cabeludas, classificadas previamente numa escala de pilosidade, peso e grosseria, às diversas situações de alívio, euforia, medo, frustração e demência apresentadas pelo jogo. 

O palavrão que afaga, como se sabe, pode ser o mesmo que apedreja, mas nosso experimento estaria equipado para fazer medições acústicas sofisticadas a fim de diferenciar por volume, intensidade e timbre os diversos usos do mesmo vocábulo.

Afinal, ninguém ignora que cabe um mundo de dissonância semântica entre uma expressão (a convencional PQP, digamos) usada para glorificar o Renato Augusto, que marcou de cabeça e reacendeu as esperanças brasileiras, da mesma expressão usada instantes depois para espinafrar o mesmo Renato Augusto, que chutou para fora a chance do empate.

Em condições não controladas, ou mesmo inteiramente descontroladas, essa experiência se desenrolou em milhões de casas brasileiras nas últimas semanas, diante da incompreensão e muitas vezes da revolta, daquela parte dos torcedores que, saindo do armário apenas de quatro em quatro anos, não entende que futebol sem palavrão é como Piu-Piu sem Frajola e Buchecha sem Claudinho.

Mas será mesmo? E em caso afirmativo, por quê? A resposta à primeira pergunta é um rotundo e empírico sim. Já a segunda requer maior elaboração e um inevitável avanço por terreno ainda pouco explorado, o estudo das funções psíquicas e físico-químicas dos tabuísmos —nome bem comportado dos palavrões— no organismo de quem os profere.

O que se pode garantir é que palavrões têm poder. Experiências recentes constataram que, gritando grosserias inomináveis, as pessoas suportavam a dor de manter a mão mergulhada em água gelada por intervalos muito mais longos do que o grupo ao qual era permitido gritar apenas palavras inofensivas como "brócolis" ou "ursinho".

A tensão e a angústia geradas por uma partida de quartas de final de Copa do Mundo, potencializadas pelo conjunto de expectativas que torcedores de boa cepa passam quatro anos acumulando, podem ser mais insuportáveis do que aquele balde de água com gelo. 

Diante disso, é natural que os bons modos e outras regras de salão da convivência familiar saiam perdendo miseravelmente, como Fernandinho diante de Lukaku. O estudo do papel do palavrão nas casas brasileiras durante a Copa do Mundo teria o mérito de lidar de forma direta com o contrabando na fronteira entre as esferas privada e pública que está no cerne dos tabuísmos.

Como diz o desbocadíssimo poeta Glauco Mattoso na apresentação de seu "Dicionarinho do Palavrão & Correlatos" (Record), "é consenso entre os pesquisadores que o caráter chulo desta ou daquela palavra ou acepção prende-se aos tabus fisiológicos (especialmente sexuais) que envolvem o corpo humano no contexto social, ou seja, a relação entre o comportamento público e o privado". 

Em outras palavras, o que soa natural no banheiro ou na alcova é escandaloso na sala de visitas. E é desse escândalo que o palavrão tira seus poderes primais de válvula de escape, catarse e desrepressão, evitando doenças na esfera privada e crimes hediondos na esfera pública. PQP, Fernandinho!




« voltar  |  Enviar este conteúdo  |  Imprimir este conteúdo  |  Comentar esse conteúdo  |  

COMENTÁRIOS
Enviado por: Sergio Vianna - E-mail: terraviva.vianna@gmail.com

Parabéns, xará, obrigado pelo conteúdo. Abco.



18/09/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!Ereções...
17/09/2018 - Eleições no DF em clima de pesadelo - Leandro Colon - Sofre o eleitor do Distrito Federal a menos de...
15/09/2018 - A Brasília dos avoados - Mário Sérgio Conti - Lá se vão 30 anos desde que Joaquim Pedro de...
13/09/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!Piada...
13/09/2018 - Tática em teste - Janio de Freitas - A oficialização da candidatura de Fernando Haddad é o...
11/09/2018 - Macaco Simão...Urgente - Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Brasil...
10/09/2018 - O risco do mais do mesmo após a eleição - Jorge Serrão - Não adianta esperar por “Diálogo Civilizado” durante a campanha...
10/09/2018 - Independência e sabotagem da Nação - Mário Sérgio de Melo - Dia de comemoração da Independência, quase duzentos anos! Dia...
07/09/2018 - A facada! - Carlos Maurício Mantiqueira - Antes de mais nada, rezemos a Deus pelo pronto...
07/09/2018 - Deixar em ruínas - Vladimir Safatle - Dificilmente alguém conseguiu sintetizar de forma tão precisa a...
Destaques
Registros Históricos - Carlos I.S. Azambuja
São registros históricos que comprovam a veracidade do que dizemos quase que diariamente. Quem diz o contrário é ignorante, por não ter nascido naquela época e não haver estudado a História verdadeira (com agá maiúsculo), ou por ser mal intencionado mesmo, como...



Pólo de Cinema. O sonho não acabou, ainda - Pedro Lacerda*
Não é a primeira vez que alguém tenta acabar com o sonho do Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, localizado em nossa Sobradinho. Desta vez, nos parece que é o próprio governo que está pretendendo dar um fim...



Marcada para segunda-feira,4, Audiência Pública para tratar do Ribeirão Sobradinho
Está marcado para acontecer dia 4 de novembro, uma segunda-feira, Audiência Pública proposta pela Câmara Legislativa do Distrito Federal exclusiva para tratar do Ribeirão Sobradinho. O evento será às 15 horas na Casa do Ribeirão Q. 9 Área Especial, frente para...



Busca