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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 15 de outubro de 2018  


03/11/2017
"A democracia dos burros" - Sérgio Alves de Oliveira

Inicialmente peço perdão aos burros “animais” - que não são tão “burros” como a maioria dos  burros “humanos” - especialmente de brasileiros portadores de título eleitoral - por usá-los indevida e injustamente para melhor compreensão desse texto.

Como sabido, em zoologia, ou biologia animal, o “burro” significa o animal macho produto do cruzamento do jumento com  a égua, resultando na  “mula”, quando fêmea. Assim os burros animais possuem uma identificação certa ,ao passo que o mesmo não acontece em relação aos  seus “congêneres” humanos, porquanto a “burrice” fica escondida lá no interior do cérebro.

Mas tem sido justo o uso  extensivo e  pejorativo da palavra “ burro” pelo  fato desse animal  ter sido durante milênios um animal usado  para fazer força e carregar peso na marcha da civilização? De ter sido o “burro-de-carga” do homem?

A minha tese é que o emprego dos outros significados da palavra “burro”, para representar o “burro humano”, ou seja, a pessoa com precária inteligência, também conhecido por bronco, anta, toupeira, cavalgadura, tolo, teimoso, analfabeto, ignorante, estúpido, idiota, imbecil, inepto, palerma ou tapado, se trata  simplesmente de  uma TRANSFERÊNCIA injusta e sem qualquer fundamento da consciência da “burrice humana”  para os “burros” animais.

A grande diferença entre eles está em que o burro animal “sabe” que é burro, tem “consciênc ia” que é burro, se comporta como burro, conforme comando da  sua própria  natureza. Enquanto isso, o burro humano procede contrariando a sua natureza, que não se identifica com a “burrice”.

Porventura o homem não é considerado o único “animal racional”?  O único  “inteligente”?  O “ser superior”, em relação aos demais animais?   Então tudo leva a crer que o burro animal tem o direito de ser “burro”, enquanto o burro humano não tem esse direito. E se assim proceder estará contrariando a sua natureza. A natureza do homem não é ser burro. É ser inteligente. Mas nem sempre assim procede.

Isso quer dizer  que no sentido de sinônimo pejorativo da expressão o único burro de verdade passa a ser o ser humano, desde o momento em que  ele não procede de acordo com as  regras ditadas pela razão, pela inteligência, pela verdade e pelo bom senso.  Não é justo equiparar a falta de inteligência humana ao burro verdadeiro, o animal.

Onde a “burrice” humana mais aparece  e assume contornos inimagináveis e gigantescos  é na prática da chamada (equivocadamente) democracia. E as pesquisas eleitorais antecipam essa verdade. Prova está nas últimas pesquisas  que  apontam Lula na liderança da disputa presidencial, apesar das graves e inúmeras denúncias  de malfeitos criminosos que pesam sobre   o delinquente de Garanhuns                                                                                                         A maior prova dessa afirmação está  nas  próprias escolhas “democráticas”  para os cargos eletivos, tanto do Poder Executivo ,quanto do Poder Legislativo . Os eleitos é que fixarão as regras que comandarão o país ,mantendo  sob  “cabresto” o próprio Poder Judiciário, na livre  escolha das cúpulas dos  Tribunais Superiores.  E tudo acontece contra os verdadeiros e mais legítimos interesses do povo. Esse fenômeno mostrou a ”cara” mais que nunca na atuação em conluio criminoso  dos Três Poderes (Executivo ,Legislativo e Judiciário) , desde que o PT tomou as rédeas do poder em 2002, com a eleição  de Lula.

Os filósofos e demais pensadores de todos os tempos sempre procuraram classificar os possíveis regimes e formas de governo. No Séc. IV a.C, por exemplo ,Aristóteles sugere que as formas de governo se classificariam em duas vertentes principais: as formas PURAS e as  IMPURAS. Nas primeiras (nas PURAS) se enquadrariam a MONARQUIA (governo de um só), a ARISTOCRACIA (governo dos melhores), e a DEMOCRACIA (governo do povo). Nas segundas (nas IMPURAS) estariam as espécies degeneradas, corrompidas, das primeiras, a saber, respectivamente: a TIRANIA, que seria a monarquia degenerada, a OLIGARQUIA, como  deturpação da aristocracia, e a DEMAGOGIA, representando a  corrupção da democracia.

Mais tarde, já no Séc. II a.C, o historiador e geógrafo POLIBIO, também da Antiga Grécia, propôs a substituição da “demagogia” aristotélica pelo que ele chamou  de OCLOCRACIA, que seria a verdadeira e mais completa  corrupção da democracia. Assim , dentro da OCLOCRACIA ,também estaria incluída a “demagogia”, ou seja, o resultado daquela pregação puramente eleitoreira do candidato, enganando o eleitor. Mas a proposição de Políbio  iria bem mais longe e seria mais completa que a de  Aristóteles no aponte dos diversos vícios que poderiam  afetar a democracia. Nos estudos ulteriores  que  desenvolveu em Roma, Políbio sugeriu que a melhor forma de governo estaria numa  combinação da monarquia ,com aristocracia e  democracia, ou seja,  entre as três  formas puras de governo ,conforme Aristóteles.

Na verdade não teria fim a identificação dos diversos  vícios que podem afetar a  democracia autêntica, configurando, portanto ,a OCLOCRACIA.  Essa palavra (oclocracia) em síntese  representa  a corrupção, a desordem, a degeneração, a deturpação, a negação, enfim, da própria democracia, praticada por uma massa humana politicamente inabilitada, despreparada, ignorante, despolitizada, ingênua, carente de conhecimentos suficientes para essa prática, muitas  vezes até egoísta (buscando só o próprio benefício  em detrimento do bem coletivo), frequentemente fazendo das eleições um ato comercial, trocando  o voto por alguma promessa ou  vantagem  pessoal qualquer, em proveito da pior escória da sociedade levada a fazer política e dela fazer uma profissão espúria no intento único de  só tirar proveito, muitos dos quais ilícitos , ficando de costas para os   verdadeiros interesses do povo.

Disso tudo resulta que entregar um título de eleitor para gente despreparada  a tal ponto é tão ou mais perigoso que entregar uma arma de fogo a uma criança sem consciência das consequências trágicas que esse porte indevido poderá ocasionar. Mas aí dá para compreender perfeitamente e à exaustão  os porquês do quase endeusamento do modelo “democrático”, pela  famigerada  classe política .Falar mal dessa “democracia” é pior que ofender a mãe desses pilantras metidos na política. Eles até teriam certa razão se aquela “coisa” que eles chamam de “democracia” fosse de fato a verdadeira democracia.

Porém não é. Pelas razões antes esmiuçadas ,o que eles praticam é pura oclocracia, que se resume na “democracia” da patifaria política. Em termos políticos, sem dúvida, a palavra democracia é a mais valorizada de todas. Está no topo de todas as constituições e leis. Tudo uma farsa, porém.

Concluindo, sou levado a crer que Aristóteles e Políbio não esgotaram a relação das formas deturpadas da democracia. Parece-me que o modelo da BURRICE, ao menos no caso brasileiro, seria mais apropriado e bem mais abrangente, incluindo todos os  vícios da demagogia e da oclocracia.

Não alimento qualquer expectativa que esse modesto estudo  possa alterar  a tendência do  quadro eleitoral que se avizinha. Portanto, “vai dar em nada”. Os que lerem e concordarem dispensariam a leitura. Já sabem tudo.

Mas eles estão entre os 5%, ou 10%  de eleitores bem informadas e politizados. Não decidem nada. Seria preciso atingir os demais eleitores, os 95 % ou 90%, que só tomam conhecimento e acreditam nas  causas  divulgadas e abraçadas  pelas  “globos-da-vida”, que sempre agiram  criminosamente contra os legítimos interesses do povo.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.




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