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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 19 de setembro de 2018  


12/07/2017
Deslizando como cisnes - Nelson Rodrigues

Amigos, bem sei que ninguém se ruboriza mais. O último rubor que se conhece ocorreu num baile da ilha Fiscal. De então para cá, nunca mais ninguém ficou ruborizado. Mas este campeonato tem sido uma experiência fabulosa para nós brasileiros. Vocês sabem o que dizem os jornais ingleses do nosso futebol? Dizem apenas e textualmente o seguinte: — “Devia ser proibido jogar tão bonito”.

Eles acham absurdo que o Brasil possa mandar para o México um time de virtuoses, de estilistas. E, portanto, podemos baixar a vista, escarlates de modéstia. É a Inglaterra que nos põe nas nuvens. Cabe então a pergunta: — e as vaias? Esse mesmíssimo escrete, que assombra o mundo, recebe as vaias humilhantes da própria terra. Era como se fôssemos um time de pernas-de-pau, uma equipe de cabeças-de-bagre.

E os “entendidos”? Estavam diante do óbvio e não enxergavam o óbvio. Um deles, escrevendo sobre Brasil x Inglaterra, deu duas notas dez aos ingleses e nenhuma nota dez aos brasileiros. Sempre escrevo que o pior cego é o míope. O citado “entendido” não desconfiou que o Brasil não é nada do que ele dizia, e nada do que ele ainda diz. Todo mundo já sabe que não há na Copa um time que se compare ao Brasil. E o “entendido” ainda está atracado ao mito, ao pobre e falecido mito do futebol inglês.

Ontem a Inglaterra disse adeus à Copa. O juiz de 66 não estava lá para inventar o gol que a Inglaterra não marcou. E ela perdeu para a Alemanha. É um futebolzinho, o inglês, que só vinga sob uma cínica, deslavada cobertura da arbitragem. E o futebol brasileiro, que os “entendidos” sempre negaram ou, na pior das hipóteses, sempre subestimaram? O “entendido” escreveu, outro dia: — “Não somos os melhores”.

E vocês viram o jogo com a Tcheco-Eslováquia? Levou do Brasil um banho de Paulina Bonaparte. Em seguida, a Inglaterra, a favorita dos nossos “entendidos”. Ganhamos por 1 x 0. Um gol só, mas que valeu por cinco. Vocês se lembram do lance. Tostão apanha a bola, dribla um inglês, outro inglês. E ao terceiro inglês, passou-lhe a bola por entre as pernas. Em seguida, o formidável craque, vendo que os adversários, em hordas, vinham caçá-lo, deu uma maravilhosa virada para Pelé. O sublime crioulo está com a bola nos pés. Três ingleses rugem para ele. E, então, Pelé os engana lindamente. Em vez de chutar, passa para Jairzinho.

Jairzinho recebe a bola e engana mais um inglês. E manda uma bomba no canto. Esse gol, de uma trama genial, foi um momento de eternidade do futebol mundial. Mas os “entendidos”, embora presentes, estavam lá para admirar os ingleses. Contra a Romênia, fizemos 25 minutos iniciais de um futebol nunca sonhado. Era um jogo fácil. O Brasil merecia ganhar de uma goleada astronômica. Depois da Romênia* , o Peru. Os gols que perdemos são incontáveis. Dois lances geniais de Pelé explodiram na trave. Tostão, que fez dois, perdeu uns três. Antes que eu me esqueça, uma pergunta que gostaria de fazer aos “entendidos”: — e a famosa e irracional velocidade, que era uma característica fundamental do futebol europeu? O Brasil, quando quer, corre mais que os europeus, e quando não quer, põe-se a passear em campo, a deslizar como cisnes, sem nenhuma pressa, nenhuma. Afirmava-se também que os europeus não deixavam jogar. Eles não fazem outra coisa senão deixar o Brasil jogar.

Mas falo, falo, e não digo uma palavra sobre o meu personagem. Vamos dar-lhe nome: — Tostão. Foi uma enorme figura. Marcou dois gols e foi um criador de jogadas maravilhosas. Já a sua atuação no gol contra a Inglaterra foi um lance de gênio. Mas o que eu queria chamar a atenção de vocês é para o abnegado e formidável esforço de Tostão. Saído de uma crise vital, aceita todos os riscos para servir ao escrete. De quinze em quinze minutos, seu futebol cresce. Está entre os cinco ou seis maiores jogadores do mundo em todos os tempos. Como influiu para a nossa vitória sobre o Peru! Fez uma série de coisas perfeitas e irretocáveis. Já na semifinal da quarta-feira, espero que ele apareça em estado de graça plena. Imaginem Tostão dando tudo, Pelé dando tudo, Jairzinho dando tudo, Rivelino dando tudo, Gérson dando tudo.

[O Globo, 14/6/1970]

* Brasil 3 x 2 Romênia, 10/6/1970, em Guadalajara. Terceiro jogo pelas oitavas-definal. Brasil 4 x 2 Peru, 14/6/1970, em Guadalajara. Jogo pelas quartas-de-final.Encaminhado por Carlos SA.




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