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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 23 de junho de 2017  


24/05/2017
O bandeirinha artilheiro - Nelson Rodrigues

Amigos, ontem foi o lírico domingo dos velhos. Aqui, Barbosa, fechando o gol do Vasco; em São Paulo, Jair, decidindo o jogo para o Santos. Duas eternidades e ambas viçosas, ambas salubérrimas. Tanto Jair como Barbosa podiam ser, hoje, o meu personagem da semana. Mas há melhor, amigos, há melhor! Refiro-me ao “Caixa Econômica”, a mais recente, inesperada e espetacular celebridade do futebol brasileiro. Antigamente, em matéria de Caixa Econômica, só se conhecia a própria. Mas, graças ao Fla—Flu , fez-se uma descoberta sensacional. Sim, amigos: — existia, aqui, nas nossas barbas, sem que o percebêssemos, o “Caixa Econômica” bandeirinha. Foi a grande e, direi mesmo, foi a contundente surpresa do Fla—Flu!

O bandeirinha! É, na história do futebol, o sujeito mais secundário. A humildade de sua função só tem paralelo com a do gandula. E houve uma época em que o bandeirinha era um franciscano apanhador de bola. Foi preciso que o profissionalismo aparecesse e o arrancasse de sua compacta obscuridade. Então ele subiu social e economicamente. Lembro-me da primeira remuneração do bandeirinha: — 25 mil réis por jogo! Hoje, a função é mais importante. O homem já marca impedimentos e tornou-se um personagem ativo e militante na comédia do futebol. Todavia, nenhum bandeirinha conseguiu, jamais, o furioso destaque do “Caixa Econômica”. Num Fla—Flu sensacional, ele conseguiu ofuscar o juiz, os jogadores, o outro bandeirinha. Foi, atrevo-me a dizê-lo, o solista do espetáculo.

Aliás, tudo no “Caixa Econômica” parece predispô-lo para a celebridade e para a glória. A começar pelo apelido. É “Caixa Econômica”, como poderia ser “Banco de Crédito Real de Minas Gerais”, “Prolar S. A.” etc. etc. E vamos e venhamos: — ninguém consegue chamar-se “Caixa Econômica” impunemente. Há entre o nome de um sujeito e o seu destino uma conexão inevitável. Napoleão teria que ter um destino napoleônico. E o nosso “Caixa Econômica” não poderia viver eternamente obscuro e eternamente humilde. O Fla—Flu foi a sua grande chance terrena.

Ao começar e até o encerramento da primeira etapa, o “Caixa Econômica” ainda permanecia ignorado, ainda permanecia inédito. E, súbito, na etapa final, surgiu a sua oportunidade napoleônica. Imagino que tenha ocorrido com o nosso herói uma crise de saturação. Cansou-se de ser um fósforo apagado dentro do jogo. Achou talvez abusivo que o campo fosse um espaço privativo dos jogadores e do juiz. E fez o que nenhum outro bandeirinha, jamais, teve o desplante de fazer: — entrou no campo e pôs-se a passear no gramado com uma soberana naturalidade. E, de repente, acontece o inconcebível: — uma tabelinha de um jogador rubro-negro com o “Caixa Econômica”!

Dizem que a bola bateu, simplesmente bateu, no fabuloso bandeirinha. Amigos, sejamos mais líricos e menos objetivos. Vamos admitir que o “Caixa Econômica” deu um passe que caiu como uma luva, ou melhor, como uma meia no pé de Henrique. Jamais Zizinho no apogeu, ou Jair, ou o divino Domingos da Guia conseguiram ser tão precisos, exatos, perfeitos. O estupor do Fluminense foi de tal ordem que o time parou, de ponta a ponta, e Henrique, vivíssimo, penetrou com furiosa velocidade. Dida recebeu a bola para marcar. Vejam vocês a trama diabólica: — “Caixa Econômica” — Henrique — Dida! O Fla—Flu continuou, mas a verdade é que o tricolor estava perdido. O que desintegrou meu time não foi bem o gol, mas a intervenção sobrenatural do “Caixa Econômica”.

A partir do momento em que se tornou o primeiro bandeirinha-artilheiro do universo, o meu personagem da semana conheceu a celebridade. Ontem, a sua simples presença no Vasco x Flamengo valorizou e dramatizou o clássico. O pânico da torcida cruzmaltina era que o “Caixa Econômica” apanhasse a bola, saísse driblando e marcasse para o Flamengo o gol da vitória.

[Manchete Esportiva, 2/5/1959] 

* Flamengo 2 x 0 Fluminense, 20/4/1959, no Maracanã, pelo Torneio Rio— São Paulo. O bandeirinha, de apelido “Caixa Econômica”, chamava-se Adélio Maia. O juiz era Amílcar Ferreira e o gol valeu. 




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