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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 17 de janeiro de 2018  


11/01/2018
Fugindo do padrão - Por Jacob Fortes

Jacob Fortes de Carvalho, de Sobradinho

Às vésperas do Natal de 2017 compareci a uma concessionária de automóveis, Brasília, para o propósito de uma inspeção veicular. Conforme agendado, entreguei o veículo às 13 horas e, na sequência, encaminharam-me à “sala de espera” onde uma turba de clientes, em poltronas de largo espaldar, se entretia com o cardápio único: a televisão; fecunda tanto em serventias quanto em inutilidades. Apesar do cardápio único é de se observar que nem todos os comensais apreciam o mesmo quitute, possuem o mesmo sentido gustativo. A par disso, e o fato de que a revisão demandaria cerca de quatro horas, precavi-me: antes de sair de casa encafuei no meu bornal a dupla gloriosa: Dom Quixote e o seu cavalo. A questão agora consistia em identificar um cantinho plácido onde eu pudesse descerrar a obra que me era palatável (portátil, sem circuitos elétricos, sem bateria, sem necessidade de conexão e com a vantagem de poder ser utilizada em qualquer lugar). Mas isso era de somenos. Com a cerimônia de quem ocupa um lugar que não lhe pertence, apossei-me da pontinha da mesa de um funcionário que se ausentara para o almoço. Pronto, com a permissão de Dom Quixote de La Mancha, montei no Rocinante, que estava selado, e o pus em movimento. Errando prazenteiro por paragens de Espanha sentia-me o vingador compenetrado, que julga as suas e as alheias ações. Quando me comprazia no meu bom desejo de me aproximar de um castelo onde à porta jaziam duas graciosas damas de formoso feitio, despertei com a voz do funcionário:

 — não me leve a mal, mas preciso recomeçar o meu trabalho.

 Desculpei-me pela invasão, recolhi os petrechos e migrei para o cantinho econômico de outro birô onde restabeleci minha vida errática, evidentemente montado no Rocinante.  Mal principiei nova incursão fui interrompido por outra voz:

 — boa, tarde, se o senhor não se incomoda preciso fazer umas ligações; por certo irão atrapalhar a sua leitura.

Em tom de vassalo desculpei-me novamente e levantei acampamento: prancheta, marcador de texto, Dom Quixote e o cavalo. Cansado de ser tangido com o repelente fabricado pela minha própria audácia travessa, derivei para um corredor que dava acesso aos banheiros masculino/feminino onde havia um banco assaz negligenciado, mas cujas pernas bambas me toleraram por horas. Ali me detive em grande proveito. Exaurido por cabal enfado, pedi licença ao narrador, Miguel de Cervantes, e enderecei-me à copa não apenas para saciar a sede, mas para por fim ao sofrimento de olhares intrusivos que secretamente queriam saber o gênero da loucura deste que optou por aquele lugar, aquele banco arruinado. “Se queres incomodar ponhas-te diferente”. Por vezes loucuras podem mais que certas razões.

Devidamente saciado e almejando tonificar o meu ânimo, à copeira, devastada por sisudez incurável, peticionei uma xícara de café quente, no que fui atendido.  Quando cogitava restabelecer as minhas aventuras por terras de Espanha ouvi o alto-falante:

senhor Jacob, comparecer à recepção, o carro está pronto.

 Duas circunstâncias se impunham: o horário do rush fazia o trânsito mover-se à pachorra de lesma; o arrebol, com suas labaredas desfalecentes, atestava que o sol dependia apenas de uma braça para se esconder no horizonte. Apesar dos que se opuseram, involuntariamente, diga-se, a tarde foi de gordo provento: gineteando no Rocinante destrinchei a metade da primeira metade do tomo I do Miguel. O sentido de conforto das poltronas remete para os teventes, não para os ledores, (que carecem da quietude de lago adormecido). Com a descensão do hábito à leitura, ninguém se assuste se a meteorologia anunciar estio de livros. Isso, porém, não seria desmantelo dos mais desmantelados. Pior é se a leitura, em papel, tornar-se criminalizada por força de lei aprovada por esses de quem nos orgulhamos por terem virtudes mais soberanas que a dos sertanejos de mãos calosas.

 




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