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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 19 de dezembro de 2018  


15/09/2018
O silêncio da Flauta - Por Jacob Fortes

Jacob Fortes de Carvalho, de Sobradinho

Quando uma vida demite-se da terra para subir a escada da espiritualidade um desalento acomete os que ficam: não sabem o que dizer nem o que fazer. Nessas horas um silêncio eloquente é de mais préstimo que uma elocução, mais ponderoso que todo o alfabeto.

Porém, não vejo como evadir-me do incontido desejo de noticiar, não com a voz radiante da alegria, mas com o abatimento de uma escrita, (acanhada, embaraçada), que o tocador de flauta desencarnou; migrou para o sobreceleste.

 A pouca distância, no transcorrer da quadra infantojuvenil, conheci o Alvarenga; sentávamos no banco dos atrasados. Rapazola igualmente a mim, Alvarenga não desgrudava de sua flauta de taquara. Com ela não se cansava de encher o mundo de melodia.

Produto de família de armazenários — cujas opulências se mediam pelas habitações suntuosas, - Alvarenga, despojado de vaidades imitativas, viera ao mundo sob o signo do desprendimento; não ligava importância aos preceitos que pregavam apuramentos de fidalguia e demais recursos necessários à impermeabilização das distinções, inclusive peneira de coar mosquito. Trazendo no olhar a etiqueta da mansidão e no paladar o apetecido gosto pela errância, Alvarenga, (que não se encaixava na moldura de sua família bem provida), em vez do caminho da escola derivava por outras paragens, sobremodo os reles subúrbios, fazendo-se andejo, de calçada em calçada, tocando a sua flauta de taquara, onde, aliás, não faltava grande concurso de povo. Isso, para os seus, lhe custou o infamante epíteto: de “vagabundo” ou, quando não, o bon vivant.

Mas todo benefício tem um preço, inclusive o fervor da mocidade. A fatura bateu-lhe à porta; primeiro, pleno de inutilidade; depois, à mercê da graça de Deus.

Vai, Alvarenga, vai cumprir o teu destino, a tua penitencia de tocar a tua flauta de taquara. “Toque lá que escutamos cá”. “A música conforta a alma de quem canta, e alimenta a de quem a escuta”. “Ninguém sabe quantos pensamentos povoam os bastidores de um sorriso nem quantas mágoas escondem as notas musicais de um canto”.

Se te regozijavas no teu delírio de mirar-se na música como acalanto de quantos dela precisavam, tomo por empréstimo a tua alegria. A notícia pouco auspiciosa, consignada no teu dossiê escolar, é que fostes agraciado com o título de “gazeteiro”. Mas isso é irrelevante perante a sublimidade da tua obra musical.  

Obrigado pela simpleza do teu coração e principalmente pela grandeza do teu exemplo; não subverteu a estrada da virtude.




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