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  Regras do Blog | Perfil do tpadua 18 de agosto de 2018  


05/02/2018
Faustino e o macumbeiro - Por Jacob Fortes

Jacob Fortes de Carvalho, de Sobradinho

Tudo ia de mal a pior na localidade denominada Tucuns, de propriedade do Faustino. Nada prosperava: cabras apareciam mortas sem razão aparente; lavouras malsucedidas; aparições de espectros humanos. Enfim, uma energia negativa parecia alojada naquele lugar.

— É macumba, opinou um vizinho; — é caborje, dizia outro; — É coisa do “sujo”, arguia um cumpade.

Acatando os reclamos da circunvizinhança crendeira acerca da interveniência de um macumbeiro graduado, Faustino arrebanhou recursos, ultimou um bom farnel (o conhecido frito de galinha), derivou para a cidade onde pegou o trem e desceu na estação de Codó, Maranhão em busca do afamado pai najá.

— O quadro é assustador, é bruxaria de grosso calibre, disse “pai najá” a Faustino. Para piorar o flagelo, acrescentou o macumbeiro, sua mulher vai morrer de parto; uma urucubaca de sete nós fora grudada ao cangote de sua esposa, completou “pai najá”.

A predição acerca da morte de Luiza (no oitavo mês de gestação) deixou Faustino em estado de abatimento profundo.

— Mas nem tudo está perdido, continuou “pai najá”.  — Farei o melhor do meu empenho para desatar esse atraso da sua vida e por esse serviço não cobrarei nada além da consulta. Porém, preciso que siga, rigorosamente, as minhas instruções. “pai najá” entregou a Faustino um longo rosário feito de semente de itã (a preferida dos povos aborígenes) com a orientação de que este fosse posto ao pescoço de Luiza como recurso, único, para evitar que morresse durante o parto.

Faustino colocou o rosário em sua maleta de sola, despediu-se e foi para a estação. À chegada do trem o encarregado da Rede Ferroviária Federal alertou a Faustino que a maleta somente poderia viajar no último vagão, o “guarda-volumes”. Embora contrariado, assim procedeu-se, ao molde anterior.

Durante o trajeto, quando o trem ziguezagueava pelas Cumeadas da Trizidela, o vagão “guarda-volumes” descarrilou sem que ninguém percebesse, sequer o maquinista. À chegada os passageiros se puseram em alvoroço ante o sumiço das bagagens. O vagão de cargas, por certo, ainda zunia desenfreado, à ré, em direção a São Luis. Para Faustino nada mais havia, senão pegar o caminho de casa e fazer a vida tomar o rumo da rotina. Mês depois, à madrugada, Luiza exclamou: — Faustino vai buscar a parteira que está chegando a hora! Diligentemente, Faustino selou dois cavalos e partiu para a localidade Bacuri.

— Ô de casa, — Ô de fora, respondeu Isaias, o filho da parteira.

— Dona Antonina está? Não, viajou à Canabrava para partejar seis meninos e só chega mês que vem. De pronto Faustino derivou para trás, agora mais convicto da morte de Luiza; em sua mente latejava a profecia do macumbeiro. Ao avizinhar-se de sua casa Faustino percebeu o fogaréu na cozinha e a movimentação de pessoas. Isso lhe afligiu o coração: seriam os vizinhos se achegando por causa da morte de Luiza? Porém, agora a metros da casa, Faustino revivesceu o semblante: Luiza comandava o café da meninada a beiju grosso e cuscuz. Fátima, já aprovisionada de leite materno e ainda exalando placenta, apenas mexia os pezinhos numa rede próxima, se refazendo do susto de ter nascido.




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