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19/07/2007
Bravos do cerrado

Hélio Chaves
Sinalização de trilha na chácara de Arlindo Castro
Na região de Sobradinho, donos de áreas rurais venderam as terras e, junto, o meio ambiente. A febre imobiliária destruiu cerrados, nascentes, riachos e pôs fim à tranqüilidade de muitos. Mas não venceu todos os proprietários. Alguns resistiram e, hoje, seus “cantinhos ecológicos” estão ilhados, com o pouco que possuem da vegetação nativa conservado. Antes, eles eram vizinhos da cidade. Hoje, estão dentro dela. Nos arredores de suas propriedades formaram-se condomínios com lotes que variam de 200 m2 a 1000 mil m².

Entrando nas chácaras dos artistas plásticos Arlindo de Castro, Thomas e Dolores Ritter, a impressão que se tem é de estar longe da cidade e não a poucos metros do centro urbano, apesar dos ruídos ocasionais vindos dos 11 condomínios mais próximos que os cercam. Arlindo criou trilhas e espalhou algumas peças de sua autoria pelo terreno. O “cantinho” de Thomas e Dolores não é menos interessante. Árvores tortas, outras frondosas dão sombra e são um convite à preguiça. Andando pelo caminho entre os arbustos até a casa principal, a impressão que se tem é de estar perdido, mesmo não sendo tão longo assim. Nas duas propriedades, predomina a harmonia na forma como montaram os espaços para recepcionar amigos, familiares e amantes das artes e da natureza.

Arlindo e sua família estão felizes por não terem aberto mão do pedaço de chão de 20 mil m², onde moram há 24 anos. “Quando vim pra cá, alguns diziam que eu era doido de morar aqui no meio do mato com minha mulher e filhas pequenas, mas valeu a pena, as meninas cresceram no meio da natureza”, comenta. Além de conservar a vegetação, a família Castro plantou árvores frutíferas e o pai montou, no “santuário”, o espaço onde produz sua arte.

As porteiras são abertas para visitas de alunos das escolas públicas. Eles recebem também crianças carentes da região para atividades recreativas e educativas. “Uma pessoa tentou discretamente comprar nosso terreno, mas sabia da minha filosofia de vida e desistiu. Se vierem outros, estamos preparados para dizer não”, afirma Arlindo. Ele concorda que todos têm o direito à terra, mas ressalta que faltou planejamento. “Durante a ocupação não levaram em consideração a preservação ambiental. O que prevaleceu foi a especulação.”

O recanto da família está cercado por condomínios, mas Arlindo afirma: “Podem fazer o que quiserem lá fora, mas vamos resistir e manter o espaço como está”. Ele conta que morar ali é uma paz. Macaquinhas com filhotes nas costas e pássaros encontram abrigo e liberdade. No barracão que construiu para servir como ateliê, aconteceu uma coisa rara: uma família de corujas brancas se hospedou no lugar. “Os bichos encontraram aqui refúgio e comida, que foram destruídos nos arredores”, diz Arlindo.

A Dolores e Thomas Ritter também são resistentes. Adquiriram duas chácaras em 1983, que juntas somam 40 mil m². Dolores conta que recebeu várias ofertas para vender o terreno e não aceitou. Então, parceladores passaram a procurar Thomas, mas ele também resistiu ao assédio. Segundo ela, o terreno é escriturado e registrado em cartório. “Na época em que compramos, só havia chácaras, cerrado e estrada de terra”, conta Dolores.

Thomas também tem seu espaço de criação artística na chácara. Para preservar a vegetação, a estrada de acesso a casa é sinuosa e só permite a passagem de um carro por vez. Tudo para evitar o corte de árvores pelo caminho, diz o filho Henning, 24 anos, que mora com mulher e filha na propriedade. Lá também estão presentes pássaros e macacos que foram expulsos pelo “bicho homem” de seu habitat e procuram alimento. Os limites do terreno estão demarcados por muros e cercas de condomínios. Anos atrás, uma irmã de Ritter comprou uma área ao lado. Depois que ela faleceu, Thomas cuida, preserva a mata nativa e planta outras árvores. Henning defende a preservação, a manutenção do espaço e diz que pretende continuar morando ali.

Eles reclamam da filosofia de preservação ambiental do governo, só no papel. Não há planejamento, e não são ecologistas que cuidam da questão. “Falta apoio para quem usa a terra com esse fim”, lamenta Arlindo. Ele diz que, às vezes, a sociedade não entende e acha exagero uma área que considera grande ser de uma única família, sem enxergar a questão ambiental como um princípio de vida que deve ser preservado. “Na minha casa resolvemos tudo em família. Os que nos visitam, buscamos conscientizar e passar informações sobre a importância dos projetos que realizamos e da preservação”, ressalta Arlindo.

Os condomínios, criados há cerca de 20 anos, continuam em situação irregular. A destruição ambiental não pôs fim ao pesadelo da irregularidade.





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